terça-feira, 5 de junho de 2012

Sexualidade e adolescência: como orientar de forma adequada?



Quando se fala em orientação sexual para adolescentes e pré-adolescentes, já se imagina a orientação de métodos aticoncepcionais e doenças sexualmente transmissíveis. Vê-se muitos trabalhos envolvendo os dois assuntos em escolas. Porém, será o suficiente para se trabalhar um tema tão amplo como a sexualidade com um grupo que está descobrindo o desejo sexual, mas não tem informações seguras sobre o que fazer com essa energia nova que o impulsiona?

A adolescência é marcada por diversas mudanças no indivíduos, como bem sabemos, desde as mudanças físicas: aumento de pelos, engrossamento da voz nos meninos, quadril arredondado e aumento dos seios nas meninas, entre outros fatores como a primeira ejaculação e a primeira menstruação, mudanças biológicas. Bom, junto com essas mudanças físicas, surge o desejo e o interesse sexual, sendo novidade para a pessoa em questão. Não que já não tenha ouvido falar, pois nossos adolescentes hoje são mais informados sobre tudo, mas novidade como experiência pessoal daquele adolescente em questão.
Outros fatores típicos dessa fase é o confronto com os pais, o desenvolvimento da inteligência abstrata, ou seja, começam a questionar a autoridade dos pais e a sociedade em sim. Começa a desenvolver uma ruptura com a sua dependência dos pais ao mesmo tempo que ainda está desenvolvendo sua identidade. Muitas vezes a inserção em grupos formados por adolescentes de diversos segmentos é comum, como também é comum o isolamento. É comum, ainda, o adolescente que se sente "confuso" sobre quem é, quem está se tornando e sobre quem será ou o que fará no futuro.
Dentro deste contexto que a sexualidade surge e é experimentada, na grande maioria das vezes, sem uma orientação adequada. O máximo que é feito é uma orientação sexual dentro dos moldes comentados no início do texto: orientação de métodos aticoncepcionais e doenças sexualmente transmissíveis. Mas, como auxiliar o adolescente a lidar com essa energia? Com essas novas descobertas que vão alem do ato sexual? A sexualidade não é mais que o ato sexual em si? Essa fase também é marcada pela busca de uma identidade, inclusive, a identidade sexual que, como pessoa única que é lida com sua sexualidade de forma única também. Pois se cada ser humano é um ser único, cada ser humano lida de uma forma diferente coma sexualidade de acordo com seu organismo e sua personalidade.
E quanto a questão do "tabu do sexo na família"? É fato que muitos pais ainda tem dificuldade em falar sobre esse assunto com os filhos e que acabam por deixando para a escola ou profissionais da saúde a função de orientar sobre essa nova fase, o que acaba muitas vezes dando errado, pois os adolescentes buscam conselhos de amigos, que muitas vezes também não tiveram uma orientação adequada e resulta no que nos é relatado pelas estatísticas: uma grande número de adolescentes grávidas, um número grande de abortos, um número grande de adolescentes com doenças sexualmente transmissíveis e além disso, muitos adolescentes que perdem sua adolescência antes mesmo de iniciá-la por não ter tido uma orientação adequada.
Muitos adolescentes iniciam uma vida sexual por pressão de amigos e/ou namorados, ou seja, apesar da curiosidade e do desejo, acabam iniciando essa experiência de forma que não é a que traz o melhor retorno prazeroso ao indivíduo, acaba não sendo uma experiência que considera boa e, muitas vezes, nessa primeira relação já ocasiona uma gravidez indesejada.
Mesmo assim, dentro dessa realidade nossa onde há uma supervalorização do corpo, da adolescência e da sexualidade, ainda há aqueles que optam por uma experiência mais restrita da sexualidade como aguardar até o casamento ou aguardar a "pessoa certa". Essas pessoas acabam por sobre pressão dos amigos e até preconceito, mas cada um tem uma forma diferente de lidar com a sexualidade.
O que, infelizmente fere a nossa sociedade é essa pressão e supervalorização da sexualidade que acaba por diminuir a infância e primeiras idades da adolescência: crianças já vestidas como adultos e adolescentes de 13 anos já grávidas ou trabalhando para sustentar a família. O que será desses jovens no futuro? Essa fase tão bela e tão curta que, muitas vezes, mal vivida por falta de orientação dos pais e da sociedade em si que distorcem valores e supervalorizam o "desejo", que nada tem de culpado, afinal, o desejo é parte do ser humano.
Esse texto não tem o objetivo de favorecer uma opinião contra essa supervalorização da sexualidade na adolescência, mas tem com objetivo levar a uma reflexão sobre esse tema tão polêmico e presente e nos levar a nos questionar sobre qual melhor forma de orientar nossos adolescentes, nossos filhos e alunos sobre esse tema, como lidar com as diversas formas de pensar sobre a sexualidade e as formas de cada um vivenciá-la. E questionar, sim, essa "moda" da supervalorização da adolescência e da sexualidade vivenciada de forma exacerbada e sem uma associação entre desejo sexual e vínculo afetivo. Até onde essa visão de dissociação entre sexo e vínculo afetivo é saudável para o ser humano de hoje? - assunto para uma postagem posterior.
Enfim, quais reflexões podemos ter a partir deste tema? Até onde o "tabu do sexo" está "impregnado" em nós mesmos e, ao invés de falarmos sobre o tema e tomarmos uma atitude em favor da orientação adequada dos adolescentes, acabamos por fazer "vista-grossa" e depois simplesmente passamos a fazer comentários do tipo: "mais uma adolescente grávida!", ou "ninguém orienta mais os jovens?", ou ainda, "nossa sociedeade está perdida mesmo!". Toda ação é resultado de uma pensamento, se o pensamento for baseado numa visão engessada e fundada numa crença relacionada a esse "tabu do sexo", provavelmente nossas ações serão as mesmas repetidas da maioria das pessoas. Por isso uma tentativa de levar a refletir sobre o tema, para provocar um pensamento diferenciado e crítico, acreditando no potencial de nossos adolescentes e que eles são mais que "corpo e sexualidade aflorada", mas que isso faz parte de um todo que é o adolescente que necessita ser respeitado, valorizado, acolhido e orientado de forma adequada para que não perca sua adolescência tão precocemente.

Invez de criticar depois dos maus resultados, é melhor refletir, questionar e agir para evitar o mau resultado! Afinal, o diferencial está em cada um de nós, basta acreditar e fazer acontecer. Vale a pena acreditar no potencial dos adolescentes da nossa sociedade.

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