quinta-feira, 14 de junho de 2012

O que é o "Adultecente"? - uma breve reflexão

Cada vez é mais frequente um adulto de cerca de 30 anos que pensa, age e vive como adolescente. Os chamados "adultecentes", muitos sem emprego ou perspectiva de futuro, continuam agindo como adolescentes, dependentes dos pais, não criam vínculos amorosos duradouros e não pensam em crescer profissionalmente. O que leva alguem a optar por não se tornar adulto?
Esses chamados adultecentes, se vestem como adolescentes, tem relacionamentos com padrões semelhante ao de adolescentes: sem compromisso, se concentram mais em diversões, muitas vezes solitárias. Aqueles que tem filhos adolescentes acabam, ao invez de exerceram sua função de mãe ou pai, se tornando "amiguinho" ou tentando ser amigos dos filhos, quando não, acabam "rivalizando" com os filhos, disputando atenção, conquistas e até "jogos de playstation". O que acontece é que muitas vezes os avós acabam assumindo a função de "criar" e "educar" os filhos desses chamados adultecentes.
Mas, o que leva um adulto a ter esse tipo de pensamento ou comportamento considerados mais comuns a adolescentes? Qual o propósito da postergação de assumir a condição de adulto com responsabilidades e propósitos próprios da idade adulta? Será que essas ocorrências cada vez mais frequentes é também consequência da tendência da nossa cultura ao "culto da juventude"? Afinal, cada vez mais se valoriza o "ser jovem": curtir sem se responsabilizar por seus atos, buscar uma independência sem ser necessariamente independente dos pais, contudo, a adolescência também é a fase da construção da identidade, no qual o adolescente está definindo que "eu sou": o adolescente está definindo que ele de fato é, sua identidade como pessoa já separada dos pais e, ao mesmo tempo, produto da cultura e da genética herdada dos pais.
A vida do ser humano é um processo que, de certa forma, passa por etapas como infância, adolescência, adulto jovem, adulto maduro e a idade avançada. O ser humano tende a evoluir, superar etapas e crescer. Tem a habilidade de se adaptar e "crescer". Porém, nesses casos em que o fim da adolescência é postergado a pessoa paralisa numa mesma etapa e não avança, independente do motivo.

Cada indivíduo é responsável por suas escolhas e se na forma em que vive é feliz que problema há? Contudo, cada vez aumenta mais a frequência de pessoas com essas características, enfim como uma pessoa que não superou a fase da adolescência pode assumir uma responsabilidade necessária para ser mãe ou pai? E quanto a vivenciar um relacionamento duradouro? E quanto a se comprometer num emprego por muito tempo? Com o tempo, qual a chance de uma pessoa com essas características acabar solitária e com tendências depressivas?
A supervalorização da adolescência, da juventude e da beleza tem influenciado muito as pessoas: antecipando a inserção na fase da adoloescência e postergando o seu final. Pessoas tem adiado a sua maturação , a sua vida adulta. Até onde essa supervalorização pode influenciar negativamente as pessoas e a será que há necessidade de um auxílio profissional psicológico a pessoa que não consegue deixar de ser adolescente ou que tenta se inserir na vida adulta, mas encontre dificuldades, continua dependente dos pais ou do parceiro, não consegue se enxergar como pai ou mãe e sente-se frustrado, como se não conseguisse superar uma etapa que precisa ser superada: a maturação para a vida adulta?
 
 

 

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