terça-feira, 19 de junho de 2012

Porque temos tanto medo da morte?



Afinal, o que vem ser a morte? A morte é parte da vida. Aliás, é definida como o fim da vida, ou o vim da vida daquele ser. A morte é o fim de todo um processo que envolve etapas, desde o nascimento, até o crescimento, desenvolvimento, a produção atravez do trabalho, a proliferação da espécie, envelhecimento e, por fim, a morte - que não necessariamente vem depois desse processo todo. A morte é um fenômeno repentino, apesar de sabermos que sempre vem a todos nós, nunca sabemos quando, a menos que sejamos nós mesmos os autores da nossa própria morte como ocorrem em alguns casos. Enfim, a morte faz parte da vida, é um processo natural e todos estamos sujeitos a ela. Contudo, porque hoje se tem tanto medo da morte?

Segundo Freud, todos temos um desejo ou uma tendência natural, não só orgânica, mas psicológica para a morte, um desejo ou uma tendência a inércia ou a não existência ou, ainda, ao momento antes da existência. Mas, ao mesmo tempo, temos além de um instinto básico natural para a sobrevivência, temos um desejo ou uma tendência para a vida que, normalmente, se sobrepõem ao desejo de morte. Ou seja, apesar da morte ser um processo natural para todo ser humano não só orgânica, mas psíquicamente, a pulsão de vida, ou tendência ou desejo para a vida é mais forte. A não ser em alguns casos, tema que merece um outro texto num outro memomento.
O Transtorno ansioso de pânico, caracterizado pelos sintomas que comportam a ocorrência brutal de palpitação e dores torácicas sensações de asfixia, tonturase sentimentos de irrealidade. Geralmente é acompanhado pelo medo de morte, perda do controle ou de loucura, segundo o CID 10.
O ataque de pânico, de forma simplificada, é o medo do medo ou medo da morte. Transtorno este, cada vez mais frequente em nossa sociedade. Ainda, há o fato de que geralmente esse transtorno vem acompanhado de outros como a depressão ou transtorno obsessivo-compulsivo. De fato, este é uma forma de medo da morte que há necessidade de ajuda profissional em conjunto do psicólogo e do psiquiatra.


Mas, não só quem tem transtorno de pânico tem medo da morte. Uma pessoa que tem dificuldade em lidar com a perda de pessoas queridas, com o desapego das pessoas tem muita dificuldade em lidar com a morte de pessoas próximas. Tem uma dificuldade muito grande de aceitação deste fato, por diversos motivos. O processo de elaboração da morte, dependendo de cada indivíduo, não é um processo fácil. Porém, como toda informação e todo fato, o normal é o ser humano se adaptar a situação e prosseguir com a vida. Mas, muitas pessoas travam neste momento. Ficam presas a essas lembranças dolorosas, não conseguem se "despedir" da pessoa querida que partiu e não consegue seguir em frente com a própria vida também. O processamento de informação de cada pessoa funciona de uma forma diferente, mas em alguns casos é necessário a ajuda de um profissional de psicologia para melhor se adaptar a esta situação.

Há, além disso, uma questão cultural do nosso tempo da exaltação da vida, do "viver hoje sem pensar no amanhã", da valorização dos prazeres vividos de forma exacerbada e da exaltação da juventude ou do "ser jovem". É um "culto" a vida jovem e, ao mesmo tempo, uma aversão a morte. Muitos tem medo em lidar com a morte exatamente por fazer lembrar de que um dia também morrerão e não podem, sequer, pensar nisso.

Em culturas anteriores a nossa, por muitos anos, pensar ou meditar na morte era comum. Muitos pensadores, religiosos de diversos segmentos ou crenças fizeram reflexões sobre a morte de forma biológica ou simbólica. Sobre a morte do corpo e morte da alma, como uma morte pior que a do corpo.


Contudo, a morte é um fato que, independente da cultura, da fé, dos transtornos existe e muitos, hoje, tem dificuldade em lidar com ela. Muitas vezes é necessário a busca de uma ajuda profissional para conseguir lidar com ela, ou a busca de uma crença religiosa ou espiritual que ajude a confortar e a superar essa perda e esses medos da morte. A morte faz parte da vida, mas o desejo de vida deve ser maior, quem tem dificuldade em lidar com a morte pense que sua vontade de viver é maior e se realmente precisar de ajuda, não hesite em buscar. Buscar a vida e lutar pela vida, esse é o instinto natural de todo ser humano.
 
Referências:

FREUD, S. (1920). Além do Princípio de Prazer. In: FREUD, S. Escritos sobre a psicologia do inconsciente. v. 2. Rio de Janeiro: Imago, 2006, p. 123-198.

Beck, J. Terapia cognitiva: teoria e prática.Porto Alegre: ArtMed, 2007.

RUDGE, A. Pulsão de morte como efeito de supereu. Revista Ágora, Rio de Janeiro, v. 9, n. 1, p 79-89, 2006

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