Uma vez ouvi o seguinte relato: "meus filhos vivem brigando entre si, porém, outro dia quando cheguei em casa e entrei no quarto deles vi um no computador e outro com meu notebook na cama, ambos no mesmo grupo na internet conversando com amigos e entre si e se dando super bem, o datelhe é que eles quase não se falam pessoalmente e estavam no mesmo quarto naquele momento", pois é, quem mais já viu alguma cena assim? A partir desse pequeno relato podemos começar a reflexão: a internet aproxima ou afasta as pessoas? Ajudam pessoas se comunicar ou torna as pessoas mais distantes e com maior dificuldade em se relacionar pessoalmente?
Em seu texto, Zimmer (2008), faz a seguinte afirmação: "A comunicação digital é uma nova forma de comunicação que quebra com a normalidade da comunicação social". Até antes da internet a comunicação social tem avançado cada vez mais, mas com esse novo recurso, ela deu um salto e tem se atualizado a cada dia de forma mais rápida do que muitos grupos sociais podem acompanhar. através da internet as pessoas, mesmo à distâncias quilométricas podem se comunicar como se estivesse a uma rua de distância. Se comunicam com voz, vídeo, textos, troca de mensagens em tempo real, divulgam idéias, compram, vendem, conhecem novas pessoas, se associam a grupos, encontram parceiros para relacionamentos afetivos, opinam, ouvem música, assistem filmes, vídeos diversos, entre muitas outras coisas de naturezas diversas, que podem ser para o bem próprio e comum, como para prejudicar a si mesmo e aos outros também.
Segundo Moran (1997), "a internet está explodindo como a mídia mais promissora desde a implantação da televisão". Essa frase ele disse no texto que publicou em 1997, estamos em 2012, muito se avançou de lá para cá quando se fala em comunicação digital. Este autor, relata a importância do recurso virtual na educação a distância e até presencial. E de fato, o recurso virtual tem sido muito utilizado na educação: cursos on-line, apostilas on-line, educação à distância, estudos via e-mail, msn e facebook. Hoje uma rede de ensino superior oferece vários recursos para estudo a distância e até tem sido feito uma bom investimento na divulgação de cursos nesta modalidade, inclusive aqueles incluindo a graduação e a pós-graduação sendo realizadas ao mesmo tempo. Porém, será que o fato de não haver um contato frequente com o professor ou os colegas de uma sala de aula não ocasiona uma certa perda de experiência e trocas que podem não ocorrer num curso on-line, onde o contato maior é apenas com textos? Numa aula presencial há muito da experiência pessoal do professor que sempre ilustra e exemplifica a aula como um complemento essencial para acontecer essa troca, essa aprendizagem.
A Autora Donnamaria (2008), No seu estudo sobre o vínculo virtual, faz uma reflexão do uso da palavra "virtual" como termo oposto ao "real", em sua pesquisa diz que a origem da palavra virtual é do latim medieval virtualis, que é uma distorção da palavra virtus que significa existir em potência, sendo assim, propõe outras formas de se referir ao termo relacionamento virtual X relacionamento real. Ela propõe utilizar termos como relações on-line e off-line, virtuais ou presenciais ou, em condição virtual ou e condição face a face. Ou seja, usar o meio virtual para se relacionar não é visto, segundo esta autora, como algo oposto ao real ou como algo "anormal", mas como parte do processo de adaptação do ser humano as novas tecnologias. Este é o caminho que estamos seguindo. Há, de fato, uma grande quantidade de pessoas que ainda olham com estranheza os relacionamentos virtuais, principalmente quando se fala num relacionamento amoroso, uma paquera ou até um namoro propriamente dito onde os parceiros só se conhecem via internet, nunca tiveram a oportunidade de se relacionarem face a face, termo que a autora propõe.
Hoje, cada vez é mais comum os relacionamentos afetivos neste contexto virtual. Ou mesmo, relacionamentos que iniciaram virtualmente e que evoluíram para um relacionamento face a face. Mais uma vez podemos refletir sobre até que ponto um relacionamento virtual é saudável ou até mesmo seguro. Ainda há muitos pensamentos do tipo: "todo relacionamento virtual pode é falso ou perigoso", realmente ainda existem riscos, mentiras, "trotes" e até casos graves de estupro e assassinato que começou com um relacionamento virtual e culminou num encontro com resultado ruim e até ocasiões de estupro e/ou morte. Porém, o pensamento do tipo generalizado também não é saudável. Viver sempre inseguro ou com um pensamento negativo em relação a algo considerado novo é uma barreira que pode ser prejudicial a própria pessoa. A generalização pode impedir a pessoa de experimentar as facilidades dos recursos virtuais.
Donnamaria (2008), ainda traz em sua pesquisa a controvérsia entre autores sobre o uso de nicknames (apelidos em inglês). Este recurso é usado como uma forma de anonimato e, ao mesmo tempo, de defesa nos dois sentidos, defesa da sua identidade real contra pessoas mal intencionadas e defesa do seu verdadeiro eu. Para uns autores autores é uma forma de brincar de ser mais de um, sem que implique uma existência de "multiplos eus", outros, porém, identificam uma possibilidade de traços de transtorno de múltiplas personalidades. E, claro, há o fato das pessoas que realmente são "mal intencionadas", que usam esses recursos para prejudicar os outros. Muitos utilizam dos perfis para brincarem ou para acrescentarem algo que gostaria de ter, isso, claro, excluindo aqueles mal intencionados. É muito comum alguem acrescentar algo a mais em seu perfil para se tornar mais atraente, principalmente quando se fala de sites de relacionamentos afetivos.
Em sua conclusão, a autora levanta que nos vínculos amorosos, a internet se caracteriza como condição a partir do qual o vínculo é construído e isso ocorre por etapas que vão da identificação de valores um do outro e de desejos que condizem e passam pela confirmação dessas identificações no encontro face a face como sendo reais e não fantasias (pensamento e insegurança comum na maioria dos casos)
Ainda, o recurso virtual é muito utilizado tanto por empresas quanto por candidatos a novos empregos. É um recurso prático e cada vez mais acessível. Alguns sites são muito populares como o da Catho. Numa pesquisa, a Catho declara que em 2003, mais de 45 mil empresas diferentes anunciaram pelo site, em 2004 possui mais de 100 mil anúncios de currículos (CASE, 2007).
Os sites de anúncio de produtos diversos também tem crescido muito, assim como as "fraudes" recorrentes do mesmo recurso.
A questão de até que ponto é saudável ou não os vínculos amorosos via internet, ou até que ponto é saudável o tempo que uma pessoa fica "on-line" pode ser relativo e motivo para muitas discussões. Esse texto tem como objetivo levar a uma reflexão e não defender uma idéia. O importante é que cada um saiba pensar no que é melhor para si, fazer uma análise pessoal e ver até onde é bom ou não. Pensamentos negativistas ou generalistas podem inibir om acesso das pessoas a um recurso muito importante e facilitador do nosso tempo, bem como pensamentos de onipotência do tipo: "comigo isso não ocorre", assim como pensamentos imprudentes podem ocasionar risco a pessoa por pessoas que utilizam esses recursos para fazer mal. O importante é saber o que é melhor para si mesmo e saber respeitar, alem do outro, a si mesmo. Vale a pena acreditar no ser humano e nos recursos por ele criado, porém sempre é melhor saber bem o que faz e saber utilizar o melhor recurso do ser humano: o pensamento, para saber o que é melhor e até que ponto é bom ou até onde o excesso pode ser prejudicial.
Referências:
CASE, CASE, T. Como conseguir emprego no Brasil do século XXI. Rio de Janeiro: Editado por Catho Online Ltda, 2007. Disponível em <
http://scholar.googleusercontent.com/scholar?q=cache:8oPYsmxXxjcJ:scholar.google.com/+sites+de+emprego&hl=pt-BR&as_sdt=0,5>. Acesso em 07 jul. 2012
DONNAMARIA, C. Do vínculo virtual ao conjugal: um estudo psicológico.Dissertação (Mestrado em Psicologia). Pontífice Universidade Católica de Campinas. Campinas 2008. Disponível em: <
http://www.bibliotecadigital.puc-campinas.edu.br/tde_arquivos/6/TDE-2008-12-22T062350Z-1471/Publico/Carla%20Pontes%20Donnamaria.pdf>. Acesso em 07 jul. 2012
MORAN, J. Como utilizar a Internet na educação. Ci. Inf. [online]. 1997, vol.26, n.2 Disponível em: <
http://dx.doi.org/10.1590/S0100-19651997000200006>. Acesso em 07 jul. 2012
ZIMMER, V. O que é comunicação? Blog: Comunicação Digital. 06 ago. 2008. Disponível em <
http://acaodigital.blogspot.com.br/2008/08/o-que-comunicao.html> Acesso em 07 jul. 2012.




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