terça-feira, 8 de maio de 2012

O poder de acreditar em si mesmo



"Certa lenda chinesa conta que estavam duas crianças patinando em cima de um lago congelado. Era uma tarde nublada e fria e as crianças brincavam sem preocupação. De repente , o gelo se quebrou e uma das crianças caiu na água.
A outra criança vendo que seu amiguinho se afogava debaixo do gelo, pegou uma pedra e começou a golpear com todas as suas forças, conseguindo quebrá-lo e salvar o amigo. Suas mãos estavam feridas e doía muito todo o seu corpo.
Quando os bombeiros chegaram e viram o que havia acontecido, perguntaram ao menino:
— Como você conseguiu fazer isso? É impossível que você tenha quebrado o gelo com essa pedra e suas mãos tão pequenas!
Nesse instante apareceu um ancião e disse:
— Eu sei como ele conseguiu.
Todos olharam para ele aguardando a resposta. O ancião então respondeu:
— Não havia ninguém ao seu redor para dizer-lhe que ele não era capaz." (http://www.contandohistorias.com.br/historias/2006528.php)
Essa lenda chinesa nos leva a refletir sobre a confiança em nós mesmos e, ao mesmo tempo a confiança que transmitimos aos outros, sobretudo a confiança que os pais depositam nos filhos. Mas, para que algo seja transmitido a alguem é necessário antes que a pessoa em questão tenha adquirido esse algo em quantidade suficiente para transmitir, ou seja, antes de transmitir essa confiança aos outros, é necessário ter essa confiança em si mesmo. Mas, como surge essa confiança em si mesmo? Como ela "aparece"? Nascemos com ela? Vamos imaginar que o ser humano é como uma massa de modelar, que tem o potencial de assumir diversas formas de acordo com o investimento que for feito nela, contudo, o ser humano não é passivo como a massa de modelar, mas ele é o ser ativo que absorve os investimentos que recebe do ambiente físico e social e, a partir das suas experiências e percepções desenvolve o seu potencial.
Enfim, todo ser humano tem o potencial para confiar, acreditar em si mesmo. Mas, dependendo das experiências que teve e das crenças e esquemas que se formaram no decorrer da sua vida essa confiança em si mesmo pode se tornar mais forte ou mais fraca.
Vamos refletir sobre a origem dessa confiança:

Na teoria do Desenvolvimento Psicossocial de Erikson (1998), a primeira fase, correspondente a fase oral freudiana, é denominada Confiança Básica x Desconfiança Básica cuja idéia central é que na fase inicial da vida, o bebê volta sua atenção a pessoa que provê seu conforto, ou seja a mãe. Assim a criança estabelece sua primeira relação social. Todas as etapas possuem uma força básica a ser desenvolvida, que nesta primeira é a esperança. Essa esperança se forma a partir do momento que a criança percebe que sua mãe não está presente o tempo todo, porém, percebe que em um dado momento ela volta. Ele cria a esperança de que mesmo não estando ali, a mãe irá voltar. Para Erikson (1998), é quando a criança começa a entender que os objetos e as pessoas existem, mesmo quando não estão em seu campo de visão e que sempre podem voltar a seu campo de visão.Vivenciando esta descoberta de forma positiva, quando a mãe realmente volta, confirmando as esperanças da criança surge o que Erikson denomina Confiança Básica, ou seja, a criança tem a sensação que o mundo é bom, que as coisas podem ser reais e confiáveis. Ao contrário, pode surgir a Desconfiança Básica, que é o sentimento de que o mundo não corresponde as suas esperanças, que é mau e ingrato. Porém é importante também que a criança viva algumas frustrações, para aprender que há esperanças possíveis e outras impossíveis, no entanto, nem por isso deve-se ter uma visão negativa em relação ao mundo.


Segundo Beck (1997), desenvolvemos a nossa forma de pensar em relação a nós mesmos, aos outros e ao mundo através das percepções que temos do ambiente físico e social. A partir das primeiras experiências são formadas crenças em relação a nós mesmos e a partir dessas crenças, tidas como nucleares ou centrais, são formadas crenças e esquemas que regem nossa forma de pensar e, consequentemente, nossas reações comportamentais e emocionais. E quanto mais forte são as emoções ligadas a essas crenças, mais forte é essa crença. Porém, nem todo pensamento que temos em relação a nós mesmos são positivos, pois nem todas as experiências que temos em nossa vida são boas, existem as crenças negativas, que influenciam negativamente em nossos pensamentos provocando uma visão negativa em relação a nós mesmos, aos outros e ao mundo, chamado tríade cognitiva por Beck (1997), princípio básico para uma pessoa ter depressão.

Para Beck (1997), o tratamento para esses pensamentos distorcidos em relação a si mesmo, no modelo da Terapia Cognitivo-comportamental, é trabalhar a mudança desses pensamentos a partir de respostas dadas a eles. Porém, essas respostas terão a força do quanto o indivíduo acredita nela em oposição ao quanto ele acredita no pensamento negativo.

Chegamos então a seguinte conclusão dessa reflexão sobre a confiança em si mesmo, ou sobre acreditar em si mesmo: O quanto você é capaz de acreditar em si mesmo? Qual a força da sua confiança? Quem disse ou quem comprova que realmente você não tem forças para acreditar em si mesmo? Tudo depende essencialmente da pessoa em questão. Você pode tanto quanto você acredita que pode, se mesmo assim ainda há dificuldades em superar seus pensamentos negativos, é hora de uma ajuda profissional, que nada tem de vergonhoso, mas uma coisa é fato: é hora de uma atitude ser tomada, seja por si mesmo ou com ajuda profissional de um psicólogo. Lembre-se que o dia de hoje jamais se repetirá e talvez seja esse o dia e/ou o momento de uma mudança em sua vida, basta acreditar e tomar uma atitude. O quanto você confia em si mesmo? É hora de acreditar, no mínimo, que você é capaz de mudar - afinal, temos o potencial para nos adaptarmos, tudo depende da força do quanto acreditamos nisso e usando um clichê popular: "bola pra frente!"
Essa é a postagem inaugural deste Blog cuja intenção é promover a idéia de que vale a pena acreditar no ser humano e que vale a pena sim, acreditar em si mesmo. Não perca outras publicações neste blog!


Referências:
BECK, A. Terapia cognitiva da depressão.Porto Alegre : Artes Medicas, 1997.


Beck, J. Terapia cognitiva: teoria e prática.Porto Alegre: ArtMed, 2007.
Contando Histórias. Localizado em <http://www.contandohistorias.com.br/historias/2006528.php> acessado em 08 mai. 2012


ERIKSON, E. H. e ERIKSON, J. O ciclo da vida completo. Porto Alegre: Artes
Médicas, 1998

Nenhum comentário:

Postar um comentário