terça-feira, 15 de maio de 2012

O meu filho só dá trabalho na escola! De quem é a culpa?


Em todas as circunstancias da nossa vida temos a tendência a achar culpados para os problemas que surgem. Os culpados podem ser os outros ou a si mesmo, dependendo de cada indivíduo. Considerando, pois, a questão dos alunos com problemas de disciplina e aprendizagem entram nessa mesma situação. Geralmente os pais tendem a culpar a criança, quando não, a culpada é a escola ou a professora, aqueles um pouco mais conscientes dizem que o culpado é o governo ou o sistema de ensino no Brasil. Os professores tendem a culpar a criança ou a educação que tiveram em casa, ou seja, os pais. E os alunos, quando nem sequer pensam nessa questão, colocam a culpa nos pais ou na escola em si. Há aqueles, ainda, que carregam todo o sentimento de culpa consigo mesmo e ficam se perguntando: "onde foi que errei?".





Seja professor, seja aluno ou família do aluno, é muito comum carregar esse sentimento de culpa por não ver o resultado de seus esforços: "Essa minha sala é a mais difícil!", "Eu não consigo dar conta!" ou "Eu acho que não sou boa professora" - diz a professora. "Sou uma péssima mãe", "Não ajudo mau filho quando ele precisa" ou "Onde foi que errei?" - dizem os pais. "Eu não consigo", "Todos meus amigos conseguem aprender, menos eu" ou "Eu sou burro!" - diz o aluno. São exemplos de pensamentos que os 3 pólos dessa relação aluno-professor-família. Mas, qual a evidência desses pensamentos? Ao invez de buscar um culpado ou assumir todo o peso da culpa, pode-se dizer em parcelas de responsabilidades, onde todos, seja a professora, sejam os pais e seja o aluno tem uma parcela de responsabilidade nessa situação e que todos podem se esforçar um pouco mais.



É muito comum na resolução de problemas perdermos muito tempo lamentando ou procurando culpados, quando não ficamos remoendo a situação e assumindo todo o peso de uma culpa. Porém, percebemos que tudo isso são exemplos de pensamentos ou atitudes consequentes a um pensamento, ou seja, tudo começa a partir de um pensamento negativo em relação a situação problemática. Esses pensamentos negativos geral sentimentos negativos, comportamentos negativos que, consequentemente, gerarão mais pensamentos negativos tornando essa questão uma coisa maior do que ela é.


Para deixar claro, o presente texto para reflexão não tem como objetivo encontrar culpados para a questão do aluno que dá trabalho na escola e nem dar ou investigar uma solução para este problema na nossa realidade, mas tem como objetivo levar a reflexão sobre a forma de pensar sobre essa questão, sobre achar culpados e pensar em estratégias para ajudar estes alunos. Sendo assim, em resposta a estes pensamentos negativos levantemos uma resposta: qual a evidência sobre a culpa ser do pai, do aluno ou da professora? Devemos pensar que estar numa sala de aula com 40 alunos, sejam criança ou adolescentes, por um longo período de tempo é realmente estressante, quantos pais não sentem dificuldade em lidar com seus filhos que são 2 ou 3, imagine 40 que nem são filhos? E qual será a condição socio-econômica dessa família? Qual a estrutura dessa família? Pais separados? Os pais não são presentes? Os pais morreram? E como será para está criança estar numa sala de aula, onde não escolheu ficar, mais é um "direito-obrigatório"? Será que o aluno entende a importância ou o sentido de estar na escola? Será que ele recebe o insensivo ou a credibilidade que necessita? Pois para que uma pessoa acredite em si mesma, ela precisa antes que alguem tenha acreditado nela. E quem acredita nesse aluno? Não aquele professor ou aquele pai que disse que "esse não tem jeito", pois qual a evidência disso? Acreditar é o primeiro passo para mudar.



Se as pessoas passassem menos tempo pensando negativamente, procurando culpados, se culpando, lamentando ou ignorando o problema, teriam mais tempo para pensar em soluções e estratégias de como lidar com "aquele aluno que não presta atenção" ou "aquele aluno que só briga". Será que alguem já teve a iniciativa de sentar-se ao lado dessa pessoa para perguntar o porque dele agir dessa forma? Contudo, para ter uma maior disposição em olhar para o outro e enxergá-lo como uma pessoa que precisa, antes de mais nada, de alguem que acredite nela, é preciso acreditar em si mesmo. A postagem anterior a esta fala exclusivamente sobre esse tema: acreditar em si mesmo. Porém, sempre há a possibilidade de buscar uma ajuda profissional para lidar com essas questões de culpa, estresses, desmotivação, entre outras. Não é vergonhoso procurar a ajuda de um psicólogo para resolver um problema, mas é uma atitude corajosa dar um primeiro passo para uma mudança saudável!


Um ditado popular diz "para alcançar a vitória é preciso,
antes de tudo, acreditar nela" - o primeiro passo para vencer esse problema com o aluno que "dá trabalho na escola" é acreditar que ele pode ser superado, é acreditar que o problema não é o aluno, mas que é um indivíduo com um potencial a ser desenvolvido e acreditar em si mesmo e no seu trabalho. Tudo começa a partir de um simples pensamento, seja ele positivo ou negativo. O quanto você tem acreditado em si mesmo?
Referências:
 
BECK, A. Terapia cognitiva da depressão.Porto Alegre : Artes Medicas, 1997.


Beck, J. Terapia cognitiva: teoria e prática.Porto Alegre: ArtMed, 2007.





Nenhum comentário:

Postar um comentário